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11/03/2016

“Ódio eterno ao futebol moderno”, tem certeza?

Faz tempo que me deparo com esse tipo de movimento/manifesto/saudosismo na mídia esportiva e nas redes sociais sobre o futebol moderno. O futebol, até então proclamado dessa forma por aqueles que detestam os novos desdobramentos esportivos, causa remorso e úlceras para aqueles que viveram duas épocas distintas: A era moderna e a era contemporânea.

E é sobre as duas eras da humanidade que o texto retrata e divaga a respeito da terminologia usada para saudar uma forma de como o futebol foi tratado e relinchar para a forma de como ele é tratado.

Segundos os dicionários, “moderno” significa recente, atual, e tempo presente. Já “contemporâneo” significa o que existiu ou viveu na mesma época. De fato são conceitos, adjetivos semelhantes porém, nada disso se vale quando se pauta da história do esporte, da história do futebol.

A era moderna para o esporte, significa um período de institucionalização dos mesmos, ao passo que foram criadas regras e preceitos universais das mais variadas práticas esportivas para serem praticadas nos mais diversos cantos do mundo. Foi um período de estabelecimento dos esportes, principalmente por conta das competições internacionais como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos e mais precisamente, foi uma construção social representando os modos de ser e agir de um mundo industrial e capitalista (século XIX e XX).

E se considerarmos o conceito de esporte como prática social que é contextualizada de acordo com a sociedade a qual se insere (Elias e Dunning, 1992), ele é suscetível as mudanças ocorridas nas dinâmicas econômicas, políticas e socioculturais que governam o mundo.

Deste modo, as implicações e direcionamentos estruturais e sociais, que vieram da Globalização, aumentaram o significado do esporte na era contemporânea (final do século XX e advento do século XXI). É nesta era que o esporte passa a ser visto como apenas mercadoria, denominando-se esporte-espetáculo por alguns sociólogos do esporte. Assim, com o desdobramento em esporte moderno para esporte-espetáculo, temos a mudança de como o mesmo é tratado, pois hoje se mantém seu significado social porém, seus fins são mais privilegiados pela visão monetária, por uma visão neoliberalista de mercado.


Portanto, ao iniciar o debate entre como era bom os costumes dentro e ou fora do campo de futebol em épocas passadas, que hoje não se encaixam nos novos modos de vida estrutural e social, é importante se ater sob o que vivemos é o esporte contemporâneo/esporte-espetáculo/futebol contemporâneo e não o esporte moderno ou o futebol moderno. Ou seja, a reivindicação “ódio eterno ao futebol moderno”, em seu contexto histórico, não faz sentido já que o injustiçado futebol moderno é a mesma prática, a mesma tradição saudada por aqueles doutrinadores da moda antiga. 

16/01/2013

Copa SP de Futebol Júnior: A destruidora de sonhos


Faço de minhas palavras as palavras de Charles Barckley (astro da NBA na década de 90) no prefácio do livro “Basquete Blues: Talento e Triunfo nos guetos de Chicago” do autor Ben Joravsky, em que para cada astro do basquete norte americano, que alcança o seu sonho de jogar na NBA, inúmeros jogadores deixam de ir atrás de seus sonhos, totalmente iludidos pelo brilho e a fortuna que o esporte de alto rendimento oferece.


Assim como no basquete, não é diferente com o futebol, pois ao invés de cinco jogadores titulares, são onze e o buraco é mais embaixo.


A Copa SP de futebol júnior é um dos exemplos desta ilusão e é chamada de vitrine dos novos talentos do futebol brasileiro. Será mesmo?


Analisemos da seguinte forma:


Nesta edição há 100 times de todo o país. Suponhamos que em cada elenco desses 100 times, haja 22 jogadores. Portanto, só nesta edição, há em média 2200 jogadores até 20 anos de idade.


Se destes 2200 jogadores de futebol, 10% deles, ou seja, 220 jogadores alcançarem o futebol profissional seria um número exorbitante.


Os atletas que jogam a Copinha e depois se tornam profissionais, já são cartas marcadas antes mesmo da competição.


Competição essa, que democratiza o futebol por envolver times de todos os Estados brasileiros? É justo um time do norte e do nordeste, viajar três ou quatro dias de ônibus para chegar numa cidade do Estado de São Paulo e perder por cinco, seis ou sete a zero, os três jogos que disputa? Os jogadores deste time irão chamar atenção de alguém ou é o seu último contato com o futebol de desempenho?


A grande maioria desses jogadores chega à Copinha com esperanças e ao voltar para casa se tornam estatísticas.


A Copa SP de futebol júnior deveria mudar de vitrine do futebol para vendedora e destruidora de sonhos.


Sugestão de vídeo - Manifesto (Universidade do Futebol): http://www.youtube.com/watch?v=-4cH3IU2gss


Escrito por Tiago Guioti
16/01/2013

07/06/2012

Um parâmetro para a Eurocopa de 2012

De oito de junho à primeiro de julho, acontecerá a Eurocopa 2012 nas sedes conjuntas Polônia e Ucrânia. Será a décima quarta edição de um dos mais importantes torneios de seleções do mundo sendo esse, dito por muitos jornalistas uma Copa do Mundo sem Brasil e Argentina.

Mas o que esperar ou temer da Euro – 2012?

É de conhecimento de todos que o bloco da União Europeia passa por uma crise econômica e política desde o ano de 2008, assim, essa Euro - 2012 será o primeiro grande evento internacional na Europa após a chegada dessa recessão. Portanto, é uma ótima chance para ver até que ponto, influências econômicas e políticas refletem no desempenho de determinados países mergulhados na crise, tais como, Grécia, Portugal, Itália, Espanha e Inglaterra (Grã Bretanha).

Outro ponto importante para se refletir é em relação aos países sedes. Polônia e Ucrânia se localizam no leste europeu, área esta que foi destruída na Segunda Grande Guerra Mundial e influenciada por um regime “comunista” na época da Guerra Fria pela extinta União Soviética, sendo que a Ucrânia fazia parte da mesma. Diante disso, pode-se caracterizar como dois países em desenvolvimento a partir da década de 90, utilizando a Eurocopa como forma de propaganda governamental do que já se evoluiu em ambos.

E os impactos sociais?

Ações de ambos os governos para tal evento foram investimentos em turismo sexual, favorecendo a prostituição e a matança de moradores de rua, que ocorreram e ocorrem, para uma atração maior de turistas/torcedores e proporcionar uma imagem melhor das sedes. Além disso, preocupações com atos e cânticos racistas por parte de torcedores poloneses e ucranianos tiram o sono das Organizações locais e da Federação Europeia de Futebol – UEFA – sendo esta, forçada a orientar os árbitros das partidas a paralisar temporariamente ou até mesmo cancelá-las caso aconteça.

Apesar de todas essas reflexões, a Eurocopa tem sua peculiaridade em mostrar-nos as rivalidades futebolísticas europeias e também por apresentar-nos algumas surpresas na competição, como por exemplo, o vice campeonato da Bélgica em 1980 e os títulos da Dinamarca em 1992 e da Grécia em 2004.

A Alemanha é a maior vencedora do torneio com três títulos, seguida pela Espanha detentora de dois troféus, sendo a atual campeã.

Façam suas apostas e torçam!!!


Escrito por Tiago Guioti
em 07/06/2012