Páginas

27/08/2020

Paulista A2: Monte Azul x Portuguesa Santista

Monte Azul x Portuguesa Santista jogaram pela permanência na zona de classificação para a próxima fase. Diferente de ser um jogo que define rebaixamento, um jogo de classificação, na nossa cultura de futebol, requer uma certa cautela na forma de jogar e um conservadorismo que tira a qualidade do futebol executado. 

Jogando no 4-2-3-1 sem a bola mas num 4-3-3 com ela, o Monte Azul muda a forma como jogou na última rodada. Vieram com três atacantes (os três de ofício centro-avante) recuando dois deles na fase defensiva para compor a linha de 3 do 4-2-3-1. A Portuguesa Santista veio no 4-2-3-1 sem e com a bola com uma proposta de jogo marcando alto e tentando ser reativo. O medo de perder de ambos fez com que o jogo ficasse sem criatividade e com muitas faltas até a parada técnica. Depois dela, o Monte Azul inverte os atacantes de lado e faz o seu meia, que antes caia pela esquerda do ataque, caísse mais pela direita. O resultado deu certo. O Monte Azul passa a dominar as ações no meio, aumenta sua criatividade até que aos 45 minutos o gol acontece num desarme no campo ofensivo e finalização de um dos atacantes improvisados como ponta de fora da área. 

No segundo tempo, ambos os times voltam com as mesmas plataformas e com as mesmas falta de criatividade do começo do primeiro tempo. A única mudança de comportamento foi o jogo ser mais intenso no sentido da emoção e mais brigado. Mesmo com as substituições, nada de muito concreto acontece a não ser a quantidade alta de faltas (32 o jogo todo). Após, a parada técnica do segundo tempo, o Monte Azul abdica de vez de jogar e passa a atuar sem a bola num 5-3-2 congestionando totalmente a frente da grande área. Deu certo, mesmo que no final tenha tido um pênalti desperdiçado para fora pela Portuguesa Santista. 

O 1x0 conservador revelou que teve mais intensidade fora do campo do que dentro.   

26/08/2020

Paulista A2: Penapolense x Red Bull

A penúltima rodada do Paulista A2 reservou um confronto direto contra o rebaixamento. Penapolense x Red Bull era o jogo decisivo para ambos e sob essas condições a única e exclusiva importância era o resultado.

Por isso, venho sempre dizendo aqui, por mais ruim ou inferior a qualidade técnica das partidas, há sim ideias e conceitos de jogo aplicado, plataformas pensadas e adaptadas de acordo com a situação do jogo. Pois bem, os dois times vieram para o começo do jogo numa plataforma do 4-2-3-1 com e sem a bola (o esquema mais utilizado que eu já vi) com o RB muito mais compactado, com as linhas altas e na defensiva (bem raro ver times compactados). A Penapolense já sabia dessa compactação e apostava sempre na verticalidade e nas bolas pelas costas dos laterais do RB para tentar aproveitar o amplo espaço até o gol. Com isso, as principais chances (e não foram poucas) foram da Penapolense, dominando as ações. Com a bola, o RB tinha apenas uma jogada característica: as tentativas de bola enfiada nos pontos futuros. Com essa tônica do primeiro tempo, a defesa do RB trabalhou junto com o goleiro. Porém, quem marcou o 1x0 foi o próprio RB num gol contra e de escanteio.

No segundo tempo, pelo desespero do resultado, a Penapolense muda sua forma de jogar: manteve 4-2-3-1 sem a bola mas optou por jogar no 4-3-3 com dois volantes e um meia formando um triângulo. Como o jogo era de suma importância para ambos, para segurar o resultado o RB também mudou sua plataforma mais drasticamente: 5-4-1 sem a bola e no 3-4-3 com a bola optando pela transição rápida para os contra ataques. A consequência dessa mudança toda foi um segundo tempo ataque contra defesa. O exemplo disso foi os doze escanteios que a Penapolense teve, várias finalizações criadas no gol e fora dele e a esperteza em usar a amplitude do time para tentar furar o ferrolho do RB. O 1x1 veio mas no final do jogo um pênalti para o RB deu a vitória de 2x1. 

O resultado fez os dois times trocarem de posição. A Penapolense foi para a zona de rebaixamento e o RB é o primeiro fora dela. 

E o futebol é algo tão incerto que mesmo controlando todos os aspectos do jogo, a derrota ainda é muito presente. 

22/08/2020

A retomada do Paulista A2: Monte Azul 1x3 Penapolense

Não podemos dizer ainda que estamos no pós pandemia. Ainda estamos nela mesmo a vida entrando forçada á normalidade. O Paulista série A2 voltou depois de cinco meses e uma semana de parada. O jogo em questão foi entre Monte Azul (que antes da parada estava na zona de classificação) contra a Penapolense (que estava na zona de rebaixamento). Se a pandemia foi dura com os times grandes, em relação ao times pequenos ela foi mais cruel. O Monte Azul perdeu cinco jogadores, todos importantes para a manutenção do time na primeira parte da tabela. Já a Penapolense perdeu dezoito jogadores, ou seja, houve uma reformulação quase que total no departamento de futebol do clube. 

Sobre o futebol dentro do campo, é realmente necessário falar que não era de se esperar uma boa qualidade do jogo em conceitos e ideias depois de cinco meses sem atividades. O Monte Azul, mandante, veio numa plataforma de jogo bem comum nas divisões inferiores dos campeonatos estaduais: um 4-2-3-1 com e sem a bola. Por outro lado, venho sempre ressaltando aqui, quando um time do interior vem com duas plataformas de jogo. Assim fez a Penapolense jogando no 4-4-2 sem a bola e no 4-2-3-1 com a bola. 

Qualquer que seja o conceito de futebol treinado e pensado, ele pode ser prejudicado ou facilitado por um gol aos dois minutos. E isso o que aconteceu com a Penapolense ao abrir o placar numa jogada trabalhada no canto esquerdo do seu ataque, atraindo a maioria dos defensores do Monte Azul para esse lado e assim, fazer a virada de jogo para o lateral oposto vir nas costas da defesa e cruzar para a finalização do atacante. Ideias treinadas mas também contando com muita inteligência dos jogadores ao ter essa tomada de decisão. Após o gol, as duas linhas de 4 da Penapolense e sua marcação média e alta inibiram quaisquer construção de jogadas do Monte Azul por boa parte do primeiro tempo. Mesmo assim, as maiores ações e finalizações foram da Penapolense pois era mais aguda, mais vertical e intensa com a bola do que o Monte Azul.

Para o segundo tempo, a Penapolense troca um meia por um atacante e passa a jogar no 4-3-3 com a bola (essa foi minha leitura do jogo) para aproveitar melhor a sua verticalização e manteve o 4-4-2 na fase defensiva com sua marcação mais média do que alta porém, privilegiando o perde pressiona (pouco visto em jogos de divisões inferiores). O Monte Azul, mesmo precisando do reverter o placar, se manteve na mesma plataforma de jogo. O jogo era bem parecido como o que foi no primeiro tempo: Monte Azul tentando acelerar o jogo porém, utilizando apenas de cruzamentos para tentar alguma finalização. A marcação com duas linhas de 4 realmente é muito complicada de furar quando ela é feita de maneira correta. 

Aos 14 minutos, a Penapolense amplia para 2x0. No minuto anterior ao segundo gol, o Monte Azul se torna ousado (e não deve ser tecido nenhuma crítica a isso, muito pelo contrário) e tira o lateral esquerdo para por mais um atacante, improvisando um volante na lateral. O ruim disso, é que na volta ao jogo, a Penapolense marca justamente numa jogada de dois contra um e uma ultrapassagem no lado esquerdo da defesa do Monte Azul após pressionar sempre a segunda bola (rebote) de uma bola longa. Culpar a comissão técnica do Monte Azul é não entender o jogo e usar de resultados para apontar erros e acertos. 

Após o segundo gol, a Penapolense se mantém intensa e veloz na sua verticalidade com a bola e agora abdicando da sua posse, já que estava saindo da zona de rebaixamento, para aproveitar melhor o contra ataque. Mesmo com a posse de bola, o Monte Azul me pareceu sem saber o que fazer com ela, exagerando nos cruzamentos. Foi assim que o time da casa fez o 2x1 num erro da defesa da Penapolense aos 18 minutos de jogo. Apesar, do placar próximo, quem tomava mais as ações ainda era a Penapolense e foi assim até os 50 minutos do segundo tempo, quando numa interceptação na saída de bola do Monte Azul, gerou um contra ataque de dois contra um para fazer o 3x1. 

O resultado tirou a Penapolense da zona de rebaixamento e também tirou o Monte Azul da zona de classificação. 

A qualidade do futebol ainda é pequena mas posso garantir que há ideias sendo pondo em práticas.