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15/06/2018

Copa 2018 - Dia 2

Nem sempre a melhor seleção e o melhor desempenho vence. E é isso que faz o futebol um dos esportes únicos e mais amado do mundo. 

JOGO 2 - EGITO 0 x 1 URUGUAI

- Curiosidade: Só uma partida entre as seleções foi realizada. Em 2006, uma vitória do Uruguai 2x0. E esse jogo de hoje foi a primeira vitória na estréia de uma Copa do Mundo do Uruguai desde 1970. 

- Esquemas: Egito > 4-2-3-1; Uruguai > 4-4-2 losango.

- Jogo: A forma de jogar do Uruguai obviamente é um jogo de contra ataque e ligação direta feita de forma bem raçuda e valente característico dos uruguaios. Não contavam com um Egito bem compactado e fechando todos os espaços. Pressão na bola, o Egito só fazia do meio campo para trás, tanto que o Egito teve maior número de desarmes. Com a bola, Uruguai numa saída de 3 jogadores dando amplitude para quem jogava nos lados e Suares e Cavani vindo buscar a bola para os alas receberem e cruzarem (no primeiro tempo foram 10 cruzamento - 9 errados). Talvez pegar um time inferior seja um problema para o Uruguai que precisa propor o jogo e não usar os seus contra ataques (Posse de bola 58% e mais finalizações para o Uruguai e mais desarmes para o Egito. Sem Salah, mesmo tendo poucos contra ataques, o Egito é fraco. 

- Destaque: Godín do Uruguai (pela liderança e por tentar algo diferente quebrando as linhas de marcação do Egito); Cavani; Elshenawy (goleiro do Egito). 

JOGO 3 - MARROCOS 0 X  1 IRÃ

- Curiosidade: Primeira partida entre as duas seleções e primeiro jogo deles após o período do Ramadã. Segunda vitória do Irã em Copas (a primeira é a histórica vitória contra os EUA em 1998). 

- Esquema: Marrocos > 4-2-3-1; Irã > 4-1-4-1

- Jogo: Nos primeiros 15 minutos, total pressão do Marrocos para cima do Irã (3 finalizações para fora do gol). Marrocos com sua forma de jogar característica: propor o jogo e ser vertical (8 finalizações em 30 minutos). Irã apenas no contra ataque e jogo direto (no primeiro tempo 17 lançamentos em 30 minutos). Ter utilizado a pressão e o domínio de jogo que o Marrocos fez pode foi perigoso pois, sem gols o time cansa. No final do primeiro tempo, Irã equilibra o jogo tendo 7 finalizações com 2 no gol, possuindo mais desarmes. No segundo tempo, jogo com poucas ações e bem menos agitado. O altíssimo esforço físico do primeiro tempo fez efeito na qualidade do jogo (1 finalização para cada time em 18 minutos). O cansaço dos times reflete também na forma de jogar. O Marrocos com posse de bola e alto índice de passe (93%) mas sem converter em finalizações/finalizações certas (só 3 finalizações no gol em 12 chutes). E o Irã com desarmes mas sem jogar no contra ataque. Em jogo ruim, a bola parada salva. Com apenas duas finalizações no jogo todo, o Irã faz um gol. 

Destaques: Benatia do Marrocos (altíssima qualidade técnica); Beiranvand (goleiro do Irã). 

JOGO 4 - PORTUGAL 3 X  3 ESPANHA

- Curiosidade: 36 partidas entre as seleções com 18 vitórias da Espanha, 6 vitórias de Portugal e 12 empates. 

- Esquema: Portugal > 4-4-2; Espanha > 4-3-3



Jogo: Pênalti que não foi para consagrar Cristiano Ronaldo. Espanha opta por jogar com um atacante ao invés com 6 meias. Portugal teve sua proposta de jogo: marcando num 4-4-2 para trás do meio campo, compactado e fechando os espaços para o toque de bola da Espanha não chegar tanto ao seu gol. Na real, dependia da forma como Portugal saía jogando e com quem saía jogando, que a Espanha escolhia como se defendia: num 4-4-2; 4-2-3-1 ou até com uma linha de 5. Com a bola a Espanha ás vezes era um 4-4-2 ou 3-5-2. Espanta a mobilidade tática e o controle do jogo da Espanha. Já Portugal, ligação direta e dois gols (um roubado e outro na sorte) de Cristiano Ronaldo. Segundo tempo sem mudanças na forma de jogar das duas seleções e mantendo o alto nível de concentração e rendimento. Porém, a objetividade da Espanha melhora e a virada vem (2 finalizações em 20 minutos, dois gols). Tentativa de pressionar a saída de bola da Espanha após a entrada de Quaresma mas a qualidade técnica da Espanha é absurdamente melhor que Portugal. Porém, o alento dos portugueses e porque não o seu alívio também é ter Cristiano Ronaldo. Bola parada é um deleite para quem está ruim no jogo. Portugal está melhor que em 2014 e Cristiano Ronaldo pode prometer fazer uma excelente Copa. O único fundamento que Portugal foi melhor que a Espanha foi nos lançamentos (37 com 20 lançamentos certos). A imprevisibilidade do futebol fez sua vítima, pois a Espanha mereceu vencer. 

Destaques: Cristiano Ronaldo (absurdo, incrível, monstro porém com sorte); Diego Costa (é um tanque) e Iniesta (sua qualidade no passe e construir jogadas é uma magia). 


14/06/2018

Copa 2018 - Dia 1

Vigésima primeira edição de Copa do Mundo e aqui haverá análises não só da parte estatística do jogo mas sim, curiosidades e fatos. 

JOGO 1 - RÚSSIA 5 X 0 ARÁBIA SAUDITA:

- Curiosidade: Os fatos mais curiosos do jogo de estréia da Copa do mundo são ter como adversários a Rússia (inimiga diplomática histórica dos EUA) e a Arábia Saudita (ao lado de Israel, um dos maiores aliados dos EUA no Oriente Médio); o confronto dos dois maiores produtores de petróleo do mundo; As brincadeiras de Putin com o Sheikh saudita; por não ter, na história das Copas, nenhum jogo de estréia com um 0x0 e a primeira vitória da Rússia em Copas desde 2002.  

Jogo: Há um ditado que pode ser considerado esportivo: "Nunca duvide dos Russos". Minha aposta era uma vitória da Arábia Saudita mas houve um placar surpreendente pela qualidade técnica do time russo. A proposta de jogo foi de um 4-4-2 da Rússia com um time mais combativo e suportado pelos cruzamentos e a Arábia com um  4-1-4-1 não combativo tendo a bola em seus pés. Com menos posse de bola (41%), menos passes trocados (267) e menos desarmes (16) a Rússia dominou de modo seguro o jogo obtendo o maior número de finalizações (13 sendo 9 em direção ao gol e 5 gols). Ou seja, muito eficiente sem ter um brilho na forma de jogar. A Arábia Saudita, tendo maior posse (59%), maior número de passes (460) e maior número de desarmes (19) teve apenas 5 finalizações sem nenhum chute a gol. Portanto, se tem a bola e não sabe o que fazer com ela, num campeonato de alta exigência, o fracasso é certo. Defesa da Arábia muito ruim. Defensores apenas marcando a bola.



Destaques: Golovin (duas assistências e um gol, apesar da quantidade de faltas); Cheryshev (dois gols e melhor em campo vindo do banco de reservas) e Mario Fernandes (não por ser brasileiro mas é explícito a diferença técnica dele em relação aos outros e pelas jogadas da Rússia terem começado no lado em que joga). 

PS: Primeiro aprendizado da análise. Os números, ás vezes, não significam nada. 


12/06/2018

As Copas, as emoções, as políticas e nós

Não há época mais florida, estonteante, esperançosa e patriota (no sentido bom) no Brasil quando falamos de véspera de Copa do Mundo. Mas espera. Não é o que acontece nessa edição de 2018. E por que não há o entusiasmo ou há pouco dele?

Crise política, econômica e social-cívica; Corrupção fora do futebol e dentro dele; afastamento do povo (a parcela da sociedade que sente e usa o futebol como religião) do futebol nos estádios e no seu protagonismo; o 7x1 de 2014; o uso das camisas da seleção brasileira em manifestações políticas de 2015 e 2016; Greve dos caminhoneiros; futuro incerto e nebuloso do país e a redoma que a comitiva da seleção brasileira foi colocada na qual nunca se viu tanto distanciamento com seus próprios torcedores, ou seja, nós (vide a cena em que no final de semana caótico sem combustíveis e vivendo uma tensa situação, o avião da seleção decola com honrarias do Brasil para Londres).  

Toda essa lista faz parecer plausível e legítimo o sentimento mínimo ao evento. Pode vir propagandas, chamadas, promoções de produtos e eletrônicos consumíveis da Copa que a única coisa capaz de trazer o entusiasmo de volta, igual as edições anteriores, é tão somente e exclusivamente o desempenho esportivo do Brasil. E como se pode aferir isso? Simples. Um estudo sobre os contextos políticos e as edições de Copas que o Brasil ganhou.

Breve relato:

- Copa de 1958: Getúlio Vargas se suicida em 1954 e emerge a urgência de o Brasil ter um exemplo, uma referência. Surge então Pelé e o time de 58 que embarcara para a Suécia desacreditado pela derrota de 1950, onde vem a famosa crônica de Nelson Rodrigues – O complexo de vira-latas. Brasil Campeão.

- Copa de 1962: Período Pré Golpe Militar, ebulições políticas tensas e Brasil novamente campeão.

- Copa de 1994: Período pós ditatura militar e com graves problemas econômicos e sociais. Além do mais, Ayrton Senna falece dois meses antes da conquista do tetra (Importante fato, porque no período em que a seleção brasileira mais naufragava, Ayrton Senna a substitui como um alento e alegria para a sociedade e falece quando o Brasil retoma o posto).

- Copa de 2002: Talvez tenha sido o título que tenha menos impacto político, pois a única ressalva é a transição de governos neoliberais para os populistas.

Pulei a Copa de 1970 para deixar um parágrafo somente para ela. É nessa edição que há a maior semelhança do que vivemos agora. Ditadura militar com sua força máxima em relação a repressão, supressão de direitos e assassinatos reinava. Brasil de 70 totalmente servido ao regime na sua preparação e na utilização de propaganda política. Raiva e a torcida contra a seleção (nem todos mas havia) por causa desse apoio político. Porém, a desconfiança e o não entusiasmo foi até o primeiro jogo (Brasil 4 x 1 Tchecoslováquia) em que o desempenho esportivo e a forma de jogar (lembrando que a seleção de 70 foi eleita a melhor seleção de todas as Copas) pulverizou qualquer sentimento ruim.   



Todo o apoio político e seus contextos históricos refletem e influenciam as campanhas esportivas em eventos mundiais, seja para o bem ou para o mal. E o contrário também é verdadeiro, pois se fizermos uma linha histórica dos fatos dá para aferir e é plausível de se pensar que o 7x1 foi sim a abertura de uma caixa de pandora para os brasileiros. Ou seja, a sucessão de coisas e acontecimentos ruins tem início pós 7x1.

Apesar de tudo isso, o esporte é um mobilizador e aglutinador de pessoas, de massas, de público. Pode ser alienante, manipulador, mas também politizador e esclarecedor, pois o mesmo é neutro politicamente e ideologicamente. E o que o torna espetacular é a sua capacidade de oferecer em momentos tristes e de mazelas para aqueles que mais sofrem uma alegria, um sorriso, uma esperança, um sentimento bom de gritar um gol ou quem sabe de ser campeão.

As chances de repetirmos 1970 são grandes. Nunca vi um time brasileiro tão bem preparado como os livros descrevem como foi no México. E o pouco entusiasmo de hoje pode acabar no primeiro jogo da seleção a depender do desempenho esportivo.

A vida segue na labuta pós Copa. Na labuta difícil. Mas com o hexa, a luta pode ser feita de forma mais brilhosa.

Abaixo, segue um áudio que é quase a forma de um podcast que deu à luz para as ideias desse texto. Me desculpe os barulhos, pois foi gravado durante uma caminhada. De acordo com Chico Buarque, as caminhadas resolvem os pensamentos incertos: Podcast 1


Obrigado =)